sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Apenas uma história

Um dia acordou e sentiu um aperto no peito, estava sozinha, sentia-se perdida num mundo demais conhecido para se sentir assim.

Olhou para o telefone, nada. As lágrimas vieram-lhe aos olhos, pelo segundo fim-de-semana seguido estava sozinha em casa e sem nada para fazer, ou melhor, sem vontade de sair da cama e de ver ninguém.

Custa quando temos uma rotina, um refugio certo e de repente tudo desaparece como que por magia, mas uma magia negra que nos rouba a alma e nos deixa sem chão.
Voltou a fechar os olhos e sonhou. Pelo menos os sonhos ainda a faziam sorrir e sentir-se viva. Se pudesse ficava os dois dias do fim-de-semana na cama, a sonhar. Mas a realidade lá fora é bem mais crua, bem mais dura.

Não conseguia explicar o que sentia, uma dualidade de sentimentos, uma alegria por saber que aquelas pessoas que tanto partilharam lágrimas com ela estavam bem e uma tristeza por não entender que tinha deixado de ser importante, de fazer parte. As palavras não podiam explicar o que sentia, ela não sabia… então fechou-se em copas, por uns tempos. Sempre foi a melhor maneira que arranjará para resolver os seus “dilemas”. Ficava nos seus pensamentos e chorava sozinha para aliviar.
Porra, foi a melhor maneira que encontrou. Como haveria de explicar que as coisas não estavam bem e que se sentia mal por ter estes sentimentos dentro de si? Não iam entender, porque há coisas na vida que só entendemos e damos a devida importância quando passamos por elas.

Como podia ela, explicar que não era ciúme, não era inveja, que pelo contrário sabia que certas mudanças eram óptimas e necessárias. Como se pode pensar que alguém que acompanhou tantas horas de conversas e lágrimas, que sempre deu uma palavra amiga, que dizia a verdade mesmo sabendo que doía, porque nunca soube ser de outra maneira, que ajudou a sorrir e a olhar para a vida com outros olhos… Como se pode, sequer pensar, que esse alguém nos queria mal? Como se pode pensar que esse alguém não estava feliz pela felicidade que sabia que sentíamos? Como se podem fazer comentários que não se sentem e esquecer que às vezes mesmo que ela não ouvisse, sabia que se diziam, porque sentia nos poucos momentos que ainda partilhava numa rotina apagada.

Tentou continuar em frente e pensar que tudo não passaria de uma fase, mas sabia que corria o risco de tudo isto se arrastar demasiado tempo, o tempo suficiente para causar mágoa e deixar marcas irremediáveis. E deixou.
Hoje não entende. Hoje já não lhe dói da mesma maneira. Hoje sente pena de quando falou, quando mostrou nos seus actos tantas vezes mal-entendidos por aqueles que deviam conhece-la melhor que ninguém, sente pena que nessa altura apenas a julgassem como se fosse a pior pessoa ao cimo da terra.

Ela entende que é sempre mais fácil culpar aqueles que mais se mostram, como ela. Que não sorriem porque fica bem, que falam com “sete pedras na mão” quando sentem que precisam de o fazer, sempre foi assim: impulsiva e com os sentimentos à flor da pele (saí ao pai, que chora ao ver um filme mais triste e não esconde as lágrimas, ele também sempre foi muito sentimental). Sim, é muito fácil apontar o dedo a alguém que estava connosco sem questionar e que de um momento para o outro começa a questionar tudo e todos, sem nos perguntarmos porque razão estaria ela a reagir assim. Ficamos cegos, por vezes e deixamos de ver coisas que antes vislumbrávamos a léguas de distância.

Reagiu como conseguiu e como soube. Se foi errado? Ninguém sabe! Mas foi o melhor que conseguiu fazer, tentando combater a injustiça que sentia.

Hoje… Ela tem pena, pena que a frontalidade e a sinceridade só seja usada como mote dos erros que ela própria cometeu (sem nunca deixar de ser sincera ou frontal… porque a frontalidade de um silêncio, por vezes é bem mais forte que a frontalidade das palavras), tem pena que a palavra amizade tantas vezes gritada, esteja coberta de nuvens cinzentas e mal-entendidos das palavras ditas pela boca e nem sempre sentidas pela alma.

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